Domingo, Dezembro 25, 2011

Movido a sonhos, ideais e projetos

Posso me definir como um cara movido a sonhos, ideais e projetos. Meu grande sonho de abrir uma microempresa de Biotecnologia Médica tem como causa precípua a mitigação do sofrimento humano. Estudei Medicina na Unifesp [Univ. Federal de São Paulo] até o quarto ano e algo que deixava arrasado era ver os pacientes jogados de qualquer jeito em cima das macas nos corredores do Hospital São Paulo e do prédio do P.S. na esquina das ruas Napoleão de Barros e Pedro de Toledo.

Fico muito triste quando vejo outras pessoas sofrendo ou sendo discriminadas/espezinhadas. Torço pelos mais fracos. É um dos meus princípios. Não gosto de ver o mais forte tirando vantagem do mais fraco. Abomino o "ganha-perde" e acredito no "ganha-ganha".

Acho que posso desenvolver novos tratamentos clínicos para diabetes tipo II, obesidade, resistência à insulina, síndrome plurimetabólica, compulsão alimentar, insuficiência cardíaca, arritmias cardíacas como flutter atrial, fibrilação atrial, etc.

Tenho pena dos gordinhos, pois sei muito bem o quanto é duro ser discriminado e maltratado apenas por estar acima do peso ou "fora de um padrão" ditado e imposto por uma sociedade burra, fútil e pouco meritocrática.

Todo mundo acha "normal" o sujeito burrão, drogado, bêbado, com passagem pela polícia, etc, mas ai de quem estiver acima do peso, mesmo que seja uma pessoa honesta, correta, inteligente, trabalhadora e digna...

O Brasil é vice-campeão mundial em número de cirurgias plásticas com finalidade meramente estética. Ocupa o segundo lugar em número de academias. Era, até um passado recente, o maior consumidor mundial de anfetaminas, geralmente usadas para emagrecer.

Em compensação, nunca um brasileiro foi laureado com o prêmio Nobel. Nosso País sempre "naufraga" nos testes internacionais de educação como o Pisa e fica à frente apenas de alguns poucos paisecos miseráveis. O registro de novas patentes é pouco expressivo. A produção científica tem muito o que melhorar. O brasileiro típico é um apedeuta que não chega a ler sequer dois livros por ano... O povo não sabe votar direito e elege pessoas despreparadas como o palhaço Tiririca, por exemplo...

Ou seja, a prioridade nacional é a aparência física e não os estudos e o preparo intelectual. Vivemos numa sociedade de burrinhos bonitinhos... Corpos "sarados" e "malhados", mas neurônios cheios de teias de aranha pela falta de uso...

Ser gordinho não deveria ser motivo de discriminação ou perseguição, mas aqui nas paragens tupiniquins isso é um crime hediondo! E, pior, todo mundo achar "normal" alguém ser ignorante, inculto, drogado, bêbado, ter passagem pela polícia... A sociedade passa a mão na cabeça da bandidagem. O que tem de bandido perigoso solto por aí, predando e matando cidadãos honestos...

A aparência física virou um parâmetro único e absoluto. Ninguém mais fala em nobreza de caráter ou capacidade intelectual, por exemplo. E os poucos jovens que ainda estudam neste país geralmente são vítimas de um bullying odioso nas escolas. Os valentões que o praticam, em geral, são os piores alunos, aqueles tipos malvados e boçais que são reprovados até em exame de fezes e acabam entrando nas piores faculdades, aquelas do tipo "pagou, passou" e cujos diplomas não valem nem mesmo o papel onde foram confeccionados.

Enfim, vivemos numa sociedade sem meritocracia, em que prevalece apenas a preocupação com a aparência física mas não com o intelecto e com os valores éticos e de família. Aqui, o importante é ser magro esquelético e "bonito", mesmo que se tenha um QI de 80 e se use drogas, se beba até cair, se cometam crimes, etc... Boa aparência é tudo... Bahhhhhhh! Que absurdo! Que sociedade mais hipócrita e subdesenvolvida! Quanto obscurantismo intelectual e falta de inteligência!

Não sou melhor do que ninguém e tenho mil defeitos, mas quero me tornar um ser humano melhor e valoroso de verdade. Estou apenas desabafando um pouco porque não aguento ver pessoas valorosas sendo discriminadas apenas por estar acima do peso ou fora de um "padrão" estético imposto por formadores de opinião troglodíticos, fúteis e intelectualmente falidos.